Cenário Econômico Agosto 2023

Cenário Internacional

Economia

Este mês de Julho, período de verão no hemisfério norte, foi de poucos eventos de
destaque. O cenário global seguiu benigno. Os Bancos Centrais dos países desenvolvidos
(EUA, Europa…) continuaram seu processo de alta de juros, mas com uma leitura pelo
mercado de um final de ciclo, já que a inflação global, ao redor de 4% a.a., continua a
apresentar quedas. Na China, cada vez mais aparecem notícias de que novos estímulos
econômicos podem ser implementados pelo governo. A guerra na Ucrânia e os atritos entre
China e EUA continuam sendo os principais riscos a serem monitorados para além da
questão inflacionária.

Os EUA voltaram a apresentar crescimento acima do esperado no PIB do segundo trimestre de 2023, com destaque positivo para o consumo das famílias. A economia deve seguir crescendo de forma saudável ao longo dos próximos trimestres, com o consumo
impulsionado pelo excesso de poupança, mercado de trabalho aquecido e confiança das
famílias. A inflação surpreendeu para baixo, com todos os seus principais componentes
desacelerando. O crescimento econômico e a inflação em queda reforçam as apostas que
os EUA não terão uma recessão ou terá uma muito pequena, o chamado “pouso suave”,
durante este ciclo de aperto monetário. O Fed (Banco Central EUA) retomou o aperto dos
juros com a alta de 0,25%, após a breve pausa na reunião anterior, elevando os juros para a
5,50% a.a., e deu a entender em seu discurso que pode estar próximo do final do ciclo de
alta.

Na Europa, a queda da inflação continua concentrada especialmente no componente de
energia, enquanto serviços e o núcleo1 do indicador seguem pressionados. Com isso, o ECB (Banco Central Europeu) elevou os juros em 0,25% para 4,25% a.a. e condicionou as
próximas decisões à evolução dos dados. Apesar da pior dinâmica da inflação, principalmente nos seus núcleos1 , a atividade econômica tem dado sinais preocupantes e
isso deverá pesar nas próximas decisões do ECB. Uma possível escalada da guerra que
implique em aceleração dos preços de energia segue como o principal risco para a região.

Em relação à China, a economia continuou com crescimento fraco no 2º trimestre, após o
impulso inicial da reabertura no início do ano. Apesar da recuperação do consumo, o setor
imobiliário continuou mostrando sinais de fraqueza, influenciado por fatores estruturais da
economia. A reunião do Politburo (comitê composto por membros do alto escalão político)
foi destaque, com sinalizações de que a prioridade é expandir a demanda doméstica e
novos estímulos ao setor imobiliário são prováveis, a partir da flexibilização de algumas das
restrições que foram impostas para impedir a especulação no setor. A expectativa é que ao
longo das próximas semanas serão tomadas medidas concretas para que o governo
assegure um ritmo de crescimento compatível com as metas desse ano, que incluem
crescimento do PIB de 5% a.a.

1 Núcleo da Inflação – índice de inflação sem alguns itens mais voláteis como energia e alimentos, sendo melhor para avaliar a tendencia da inflação.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (S&P) subiu 3,11%. Em doze meses, a alta acumulada foi
de 11,11%.

Na renda-fixa, as taxas dos títulos (treasures) de 5 anos americanos3 ficaram
praticamente estáveis de 4,16%aa para 4,18%aa com a taxa básica de juros (FED
Funds) subindo para o intervalo de 5,25% a 5,50%aa Doze meses atrás a taxa destes
títulos estava em 2,68%aa.

O Dólar5 (DXY) se desvalorizou -1,02% frente as outras moedas desenvolvidas no mês
e as moedas de países emergentes (MSCI EM Currency Index) se valorizaram em
relação ao dólar 1,61%. Em doze meses a desvalorização do dólar chegou a -3,81% e
as moedas de países emergentes se valorizaram 2,53%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, com o recesso parlamentar em julho, as atenções ficaram nas discussões
de bastidores sobre a pauta fiscal no 2S23, a qual impactará as contas públicas no
ano que vem. Do lado estrutural, houve avanços com a aprovação da reforma
tributária pelo Congresso e há também os esforços que o governo vem realizando
para tornar crível a meta fiscal contida no PLP 93/2023, o que culminou na elevação
da nota de crédito do Brasil de BB- para BB pela Fitch Ratings, mas com ressalvas
quanto ao cumprimento da meta de superávit primário.

Após o forte crescimento de 1,9% do PIB no primeiro trimestre de 2023, a economia
brasileira dá sinais de acomodação. O IBC-Br, indicador de atividade divulgado pelo
Banco Central do Brasil, apresentou crescimento de apenas 0,3% entre abril e maio,
ante alta de 2,2% no primeiro trimestre. O consumo das famílias, uma das bases dos
do crescimento da demanda nos últimos trimestres, mantém a tendência de
desaceleração, em linha com o aperto das condições de crédito, elevação do
endividamento das famílias e aumento da inadimplência observado nos últimos
meses. O Focus1 prevê um crescimento de 2,26% de PIB para 2023, que significa um
crescimento próximo de zero no 2S23.

1- Boletim Focus – pesquisa semanal feita pelo Banco Central com gestores e bancos sobre expectativa de indicadores econômicos, como IPCA, PIB etc.

2- Núcleo da Inflação – índice de inflação sem alguns itens mais voláteis como energia e alimentos, sendo melhor para avaliar a tendencia da inflação.

Os dados de inflação continuaram a surpreender. O IPCA-15 de julho veio com
deflação de -0,07% no mês, na variação acumulada em 12 meses, recuou para 3,2%,
liderado pela forte desinflação dos preços livres. Entretanto, a queda do núcleo 2 da
inflação, especialmente em serviços, continua ocorrendo em ritmo lento, com a
média dos núcleos acompanhados pelo BC situando-se em patamares ainda elevados,
ao redor de 6%.

O Banco Central do Brasil (BCB) iniciou o ciclo de cortes de juros na reunião de
agosto, com um corte de 0,50% na Selic para 13,25% a.a.. Este corte foi maior que o
esperado pelo mercado1 , porém a votação no Copom foi dividida, com 5×4 para o
corte de 0,50% (contra corte de 0,25%), e o Copom tentou ajustar a comunicação para reforçar o seu objetivo de manter uma política monetária que traga a inflação
para as metas, além de sinalizar a continuidade do movimento de corte neste
patamar para as próximas reuniões. O mercado1 espera a manutenção deste ritmo de
cortes de juros nas próximas reuniões, mas a curva de juros já mostra alguma
probabilidade de cortes maiores. A expectativa é uma continuidade desse ambiente
de menor risco doméstico, seja por novos recuos das expectativas de inflação e das medidas de inflação mais sensíveis ao ciclo econômico, seja por avanços adicionais nas pautas econômicas no Congresso ou por novas indicações de elevação do rating soberano, por exemplo.

1- Boletim Focus – pesquisa semanal feita pelo Banco Central com gestores e bancos sobre expectativa de indicadores econômicos, como IPCA, PIB, etc.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 119,7 mil pontos, alta de 3,26%. O índice de Small Caps,
que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve
desempenho em linha com o Ibovespa, com alta de 3,12%. O Ibovespa acumula alta
de 18,20% em doze meses contra alta do Small Cap de 17,48%.

Na renda fixa, o CDI teve rentabilidade no mês de 1,07%, os títulos pré-fixados de 5
anos2 tiveram ganhos de 0,27%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram ganhos de
0,69%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 1,64% (153% do CDI).
Em doze meses, o CDI rendeu 13,58%, os pré-fixados de 5 anos renderam 24,26%, os
títulos de inflação de 5 anos ganhos de 14,62% e os ativos de crédito indexados a CDI
renderam 9,89% (73% do DI).

O Real1 se valorizou em relação ao dólar 1,61%, terminando o mês em 4,74, vindo de
4,82 no mês anterior. Em doze meses a valorização está em 8,61%, com o câmbio a
doze meses em 5,18.

Os fundos Imobiliários5 tiveram ganhos de 1,33% no mês, com ganhos de 13,61% em
doze meses.

Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram um ganho médio de 1,27% no mês
(119% do CDI) com rendimento em doze meses de 9,73% (72% do CDI).

Ptax; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA.

Cenário Econômico escrito por: Rogério Merhy – Gestor de Portfólio.

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