Cenário Econômico Agosto 2023

Economia

Em meio a diversas incertezas acerca do cenário econômico e de política monetária nas principais economias desenvolvidas, houve um expressivo movimento em renda fixa global no mês. A contínua abertura dos juros longos ao redor do mundo, em especial nos EUA, contribuiu para movimentos de alta do dólar e quedas nos ativos de risco. Ainda neste contexto, os EUA continuam sendo destaque de crescimento, enquanto a Europa e a China seguem decepcionando as expectativas diante de um cenário econômico turbulento.

Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Fed e o discurso do presidente do Fed na reunião anual de Jackson Hole reforçaram que a trajetória dos juros dependente dos dados, reconhecendo a incerteza quanto ao prazo para os efeitos de política monetária e que os efeitos sobre a economia pareçam estar ocorrendo de forma esperada. Ao mesmo tempo em que a inflação vem diminuindo e o mercado de trabalho desacelerando, este último se mantém apertado e vem sustentando a expansão do consumo americano. Neste cenário, a resiliência da economia levanta dúvidas sobre como ocorrerá o retorno da inflação à meta de 2% a.a. sem uma fraqueza mais significativa do mercado de trabalho. No mês não houve reunião do Fed e os juros básicos continuam a 5,50% a.a. Em agosto o tema fiscal dos EUA voltou à tona com o rebaixamento da nota de crédito soberana dos EUA pela Fitch e, logo em seguida, pela revisão, pelo Tesouro dos EUA, dos planos de colocação de dívida.

A Europa ainda está com a inflação menos controlada que os EUA e, por outro lado, os indicadores de atividade apontam para um cenário muito mais preocupante. Com relação a inflação, preocupa a Alemanha, que teve inflação em julho de 6,4% em doze meses, contra expectativa de 6,2%. Com exceção do mercado de trabalho, diversas áreas dão sinais de desaceleração mais abrupta, em especial os PMIs1 e os indicadores de crédito. A curva de juros aponta para que o ECB2 irá optar pela cautela e não subir juros na sua reunião de setembro, esperando para coletar mais dados e entender melhor o atual momento da economia, mesma argumentação que o próprio Fed usou em junho.

Na China, continua os problemas ligados as empresas do setor Imobiliário. O financiamento para o setor tornou-se fortemente negativo, e uma revisão dos relatórios financeiros de 2022 de empresas listadas revelou posições de caixa e liquidez em deterioração, aumento de encargos por perdas e prejuízos operacionais. O principal deles, Country Garden, já deixou de pagar títulos e buscou apoio do governo. Embora os formuladores de políticas estejam tentando fornecer financiamento, a situação depende da estabilização das vendas de imóveis. Sem melhora, os desenvolvedores imobiliários ficam presos em um ciclo de crescente angústia financeira, que pode resultar em mais inadimplências de títulos e perturbações na economia real. O governo vem aos poucos mudando alguns pontos para atender algumas demandas do setor, mas, por ora, foram insuficientes para acalmar o mercado.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (S&P) caiu -1,77%. Em doze meses, a alta acumulada foi de 13,97%.

Na renda-fixa, as taxas dos títulos públicos americanos (Treasures) de 5 anos  tiveram uma leve alta de 4,18%a.a. para 4,25%a.a. com a taxa básica de juros (FED Funds) se mantendo estável a 5,50%a.a. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 3,35%a.a.

O Dólar (DXY) no mês se valorizou 1,73% frente as outras moedas desenvolvidas e as moedas de países emergentes (MSCI EM Currency Index) se desvalorizaram em relação ao dólar 1,51%. Em doze meses o dólar se desvalorizou -4,67% e as moedas de países emergentes se valorizaram 2,13%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, os ativos financeiros sofreram com a abertura das taxas de juros norte-americanas. O Real se desvalorizou 4,6% frente ao Dólar, o índice Ibovespa caiu 5,1% e as taxas de juros dos títulos públicos se elevaram, com maior impacto na parte mais longa da curva. Além do vento contrário internacional, as notícias domésticas foram desfavoráveis, principalmente em relação ao equilíbrio fiscal.

O crescimento do PIB voltou a surpreender favoravelmente no segundo trimestre. A expansão de 0,9% superou as previsões, com contribuição positiva dos setores industrial (+0,9%) e de serviços (0,6%), reforçando a percepção de uma economia resiliente. O setor agropecuário mostrou leve queda, após uma performance muito forte no primeiro trimestre, quando havia sido o principal fator impulsionando o crescimento de 1,8% naquele período.

A taxa de desemprego permanece em patamar historicamente baixo; no entanto, a criação de vagas no mercado formal prossegue dando sinais de desaceleração. Já o mercado de crédito, por sua vez, segue mostrando desaceleração nos segmentos mais sensíveis à taxa de juros. À frente, os elevados níveis de comprometimento de renda, inadimplência das famílias, e a manutenção da taxa de juros em patamar restritivo, devem impor desaceleração adicional à economia.

O núcleo do IPCA vem passando por desaceleração, com os preços de bens ajudando enquanto a inflação de serviços diminui, só, gradualmente. As projeções1 estão em 4,9% para 2023 e 3,9% para 2024. O último IPCA-15 foi pior do que o esperado, porém concentrado em itens voláteis e com o setor de serviços mostrando desaceleração compatível com as metas.

Em termos de política monetária, o ambiente atual com atividade mais resiliente, inflação volátil e manutenção das chamadas “desancoragens gêmeas” (inflação e fiscal) a que o Bacen tem feito menção, parece impactar mais o tamanho do ciclo de cortes do que a aceleração do ritmo. Considerando os indicadores recentes, a sinalização dada pelo Copom após a reunião de agosto parece seguir válida, ou seja, o Copom deve voltar a reduzir os juros em 0,5% na sua reunião de setembro, para 12,75%. Para o final de 2023 e 2024, as projeções1 seguem em 11,75% e 9,0% respectivamente.

No âmbito fiscal, o governo obteve a aprovação do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados. Ao final do mês, a proposta da Lei Orçamentária Anual (PLOA) revelou a necessidade de arrecadar recursos extras, no montante de 168 bilhões, para cumprir a meta de resultado primário em 2024. O governo já tomou medidas para angariar essa quantia, como a tributação de fundos fechados, offshore e apostas esportivas, porém ainda parece ser improvável atingir a meta de déficit primário zero anunciada pelo governo.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 115,7 mil pontos, queda de -5,09%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho pior que o Ibovespa, com queda de -7,42%. O Ibovespa acumula alta de 5,68% em doze meses contra queda do Small Cap de -1,94%.

Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 1,14%, os títulos pré-fixados de 5 anos tiveram perdas de -0,29%, e os títulos de inflação de 5 anos tiveram ganhos de 0,01%. Os ativos de crédito indexados a CDI tiveram ganhos de 1,89% (165% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,55, os pré-fixados de 5 anos renderam 18,27%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 13,56% os ativos de crédito indexados a CDI renderam 10,44% (77% do DI).

O Real se desvalorizou em relação ao dólar 3,80%, terminando o mês em 4,92, vindo de 4,74 no mês anterior. Em doze meses a valorização está em 4,96%, com o câmbio a doze meses em 5,18.

Os fundos Imobiliários tiveram ganhos de 0,47% no mês, com ganhos de 7,93% em doze meses. Os fundos multimercados brasileiros tiveram uma perda média de -0,73% no mês (-64% do CDI) com rendimento em doze meses de 6,55% (48% do CDI).Os fundos Imobiliários tiveram ganhos de 1,33% no mês, com ganhos de 13,61% em doze meses.

Compartilhe: