Cenário Econômico Fevereiro 2023

Cenário Internacional

Economia

O cenário internacional migrou para uma percepção de maior força da inflação conforme divulgações de dados econômicos ao longo do mês. Tanto a inflação na Europa veio acima das expectativas, com uma composição ruim com serviços apresentando inflação elevada, quanto os EUA revisaram as séries de inflação passada mudando a trajetória de desinflação que era percebida. Além disso, os dados dos EUA mostraram uma inflação de serviços muito elevada junto ao um mercado de trabalho muito aquecido, aumentando a percepção que será necessário uma política monetária mais restritiva do que se acreditava. Por outro lado, a atividade econômica tem apresentado boas notícias, com perspectivas de melhora da atividade nos EUA, aumento do crescimento esperado da China com a reabertura, e melhora nas perspectivas de Europa, que podem não apresentar contração, ainda que a atividade esteja sendo mantida pelo setor de serviços com a indústria em declínio.

Nos EUA, houve divulgação de indicadores de atividade acima do esperado no mês, com destaque para a criação de 517 mil vagas de emprego em janeiro, quase três vezes mais do que o esperado. Os dados de consumo e inflação também indicaram uma demanda aquecida, que pode pressionar os salários e os custos das empresas. Os dados de inflação pioraram na margem, em especial o núcleo de serviços ex-habitação, métrica que o FED (1) tem dado bastante atenção. Esse cenário fez com que os mercados precificassem uma extensão do ciclo de alta de juros nos EUA, que o cenário mais provável hoje é de ser de três altas de 0,25%, terminando em 5%, mas com viés para cima.

Na Europa, a inflação também tem se mostrado mais resilientes do que o esperado, a melhora da inflação foi explicada inteiramente pela queda nos preços de energia, uma vez que o núcleo continuou pressionado, sem sequer apresentar indícios de queda na inflação de bens. A expectativa de recuperação da atividade econômica que motivou a boa performance dos ativos europeus deu lugar a uma preocupação com as expectativas de inflação maiores no continente. O ECB (2) seguiu com uma postura mais dura e manteve o ritmo de altas de juros 0,50%, com os juros indo a 2,5%. Em março deve-se começar o QT (4), o que aumentar o aperto de condições financeiras ajudando a desinflação, mas podendo gerar turbulências nos mercados.

Na China, a meta de crescimento para 2023 ficou em 5%, frustrando expectativas mais otimistas. Os dados de curto prazo apontam para uma reabertura praticamente completa da economia, mas como fevereiro tem o feriado de ano novo lunar, poucos dados econômicos foram divulgados. Os dados de inflação vieram comportados, bem mais que na maioria dos países, com alguma pressão resultante de serviços ligados a reabertura, como turismo. No setor imobiliário, os dados mostraram recuperação até agora tímida nas vendas de casas e terrenos, próximos dos padrões do ano passado e veículos de comunicação noticiaram que o PBoC (3) teria pedido para os bancos diminuírem ritmo de empréstimos em fevereiro, o que pode indicar dados melhores à frente.

1 FED é o equivalente ao banco central EUA; 2 ECB – banco central europeu; 3 PBoC – banco central da china; 4 QT (quantitative tightening) – processo de redução do balanço do banco central via venda de títulos.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (1) caiu -2,61%. Em doze meses, a perda acumulada foi
de -9,45%. Ambas as quedas são justificadas pelo aperto monetário e a inflação
americana.

Na renda fixa, as taxas dos títulos de 5 anos americanos (3) foram de 3,61% a.a. para 4,19% a.a. com a taxa básica de juros (4) no intervalo de 4,50% a 4,75% a.a., decidido na reunião de janeiro. Isto significa uma perda no mês nestes títulos de aproximadamente -2,7%. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 1,87%, o que significa uma perda aproximada no período de -11,4%.

O dólar (5) se valorizou 2,71% frente as outras moedas desenvolvidas no mês e as moedas de países emergentes (6) se desvalorizaram em relação ao dólar -2,24%. Em doze meses a valorização do dólar chegou a 8,55% e as moedas dos países emergentes se desvalorizaram -4,36%.

1-S&P; 3-Treasures Duration 5 anos; 4-FED Funds; 5-Dollar Index; 6-MSCI EM Currency Index.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, os preços de ativos descolaram do cenário internacional e foram impactados mais pelas notícias locais diante dos ruídos observados desde o início do mandato do novo governo. Na parte política, houve a ameaça fracassada de ruptura institucional em 8 de janeiro, sinalizações de que a diretriz econômica da nova administração será similar ao implementado no período 2011 a 2015 (Dilma), a aparente falta de urgência no avanço da definição do novo regime fiscal e por último o questionamento da independência do Bacen e a preferência revelada pelo novo governo de uma meta de inflação mais elevada para os próximos anos, de 3% para 4%.

Além da parte política, houve muitos problemas que afetaram principalmente o mercado de crédito, além do caso das Lojas Americanas, algumas empresas contrataram especialistas em reestruturação de dívida ou entraram em recuperação judicial: Light, CVC, Oi, entre outras. Também apareceram notícias de outas empresas conhecidas com algum tipo de problema, como grupo Raiola, Lojas Marisa e Tok Stok. Estes eventos foram seguidos por agências de rating rebaixando as notas das empresas, resgates adicionais nos fundos de crédito, diminuição grande de emissões primárias, resultando na abertura dos spreads de crédito de forma geral.

No mês foram divulgados os dados do PIB do 4º trimestre de 2022. A economia brasileira apresentou uma desaceleração com crescimento de -0,2% em relação ao trimestre anterior e 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A demanda de serviços e as exportações puxaram o crescimento, enquanto a indústria e o varejo mostraram desaceleração. Houve queda na taxa de desemprego, mas também na taxa de participação da força de trabalho, o que indica uma redução no número total de pessoas ocupadas, corroborando com a desaceleração da economia.

A inflação (1) em 12 meses ficou em 5,63%, mas o núcleo (2) persiste acima de 8% ao ano, evidenciando o efeito do controle dos preços dos combustíveis. As expectativas de inflação (3) seguem acima da meta tanto para este ano e já se aproximam de 4% para o médio prazo, o que leva o Banco Central a provavelmente manter a taxa de juros em 13,75% a.a mantendo neste patamar por praticamente todo o ano de 2023.

O aumento das expectativas de inflação ocasionou um aumento nas taxas de juros pré-fixadas ao longo de toda a curva de juros e uma diminuição na curva de juros dos papeis indexados a inflação. Isto ocorreu porque a expectativa de aumento da inflação foi principalmente causada pela expectativa de aumento da meta de inflação, que significa que o Bacen não vai precisar aumentar mais os juros para atingir uma meta maior.

1 IPCA -15 – índice de inflação que é publicado antes do fim do mês; 2 Núcleo IPCA – índice excluindo alguns itens mais voláteis; 3 – Boletim Focus Bacen.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 104,9 mil pontos, queda de -7,49%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho abaixo do Ibovespa, com queda de -10,50%. Em doze meses o Ibovespa acumulou queda de -7,26% contra uma queda do Small Cap de -20,22%.

Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 0,92%, os títulos pré-fixados de 5 anos (2) tiveram perdas de -0,06%, e os títulos de inflação de 5 anos (3) tiveram ganhos de 1,60%. Os fundos de crédito (4) tiveram perdas de -1,22%. Em doze meses, o CDI rendeu 13%, os pré-fixados de 5 anos renderam 3,67%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 9,30% e os fundos de crédito renderam 8,88% (68,32% do CDI).

O Real (1) se desvalorizou em relação ao dólar 2,13%, terminando o mês em 5,21, vindo de 5,10 no mês anterior. Em doze meses a desvalorização está em 1,33%, com o câmbio a doze meses em 5,14.

Os fundos Imobiliários (5) tiveram perdas de -0,46% no mês, com ganhos de 2,44% em doze meses. Os fundos multimercados brasileiros (6) tiveram uma ganho médio de -0,19% no mês (-21% do CDI) com rendimento em doze meses de 11,97% (92% do CDI).

1- Ptax; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA.

Cenário Econômico escrito por: Rogério Merhy – Gestor de Portfólio

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