Cenário Econômico Maio 2023

Cenário Internacional

Economia

O cenário global continua com dados sobre atividade indicando força no setor de serviços enquanto a manufatura apresenta atividade menos robusta. Ao mesmo tempo, os mercados de trabalho seguem apertados, com salários em crescimento. Esse quadro pode ser observado na maioria das economias desenvolvidas e em desenvolvimento. A guerra na Ucrania e os atritos entre os EUA e China continuam sendo um dos principais problemas a serem monitorados atualmente, especialmente pelo fato de que eles dependem muito mais de questões políticas que econômicas.

Nos EUA, dois dos principais riscos globais foram afastados ou reduzidos por meio do acordo do teto da dívida americana e da ausência de novos problemas relevantes no setor bancário. Indicadores econômicos indicam que a atividade permanece em um nível incompatível com o processo necessário para a desinflação, o consumo e o mercado de trabalho continuam robustos, e só alguns indicadores sinalizam enfraquecimento, como os dados de crédito e os PMIs1 do setor industrial. O FED ainda expressa preocupação com uma maior restrição de crédito ocasionada pelos impactos da crise bancária ocorrida este ano. Ainda que dependa dos dados econômicos, espera-se uma alta adicional na taxa de juros de 0,25%a.a. na reunião de julho, encerrando o ciclo de alta entre 5,25% e 5,50%a.a.. Porém, existe a possibilidade de uma pausa nos aumentos, com a manutenção na próxima reunião para coletar mais dados antes de uma possível elevação posterior.

1 – PMI – índice que mede o quanto os gerentes das empresas estão adquirindo insumos, o índice vai de 0 a 100, sendo 50 o valor da neutralidade;

Na Europa, dados de atividade indicam desaceleração, porém mais gradual do que o esperado. O PIB da Alemanha teve o segundo trimestre de leve contração, e os indicadores de confiança do empresário e do consumidor em toda a região mostram sinais de piora. Em contrapartida, alguns países da região permaneceram em expansão, favorecidos pela recuperação do turismo e menor exposição ao choque de preços de energia. O mercado de trabalho na maioria dos países segue resiliente e os salários continuam subindo. Tal cenário, associado ao núcleo1 da inflação ainda pressionado, justifica a postura mais dura do Banco Central Europeu (BCE), que segue sinalizando altas adicionais nos juros e manutenção em níveis elevados até o fim do ano. Em maio, o BCE elevou a taxa de juros para 3,75%a.a., com alta de 0,25%, uma redução no ritmo de altas, que vinha sendo de 0,50%. O mercado espera mais duas altas de 0,25% atingindo a taxa terminal de 4,25%a.a. e cortes somente em 2024.

Na China, a economia no mês mostrou sinais de desaceleração em relação ao trimestre anterior, após um período de recuperação relacionado ao “pós-Covid”. Os indicadores de produção industrial, vendas no varejo e comércio exterior ficaram abaixo das expectativas e o setor imobiliário continuou apresentando fraqueza. Em contrapartida, os indicadores de serviços continuam indicando forte demanda, especialmente por viagens e atividades de lazer. Essa situação aumentou a expectativa de medidas de estímulos econômicos e monetários adicionais, especialmente para impulsionar o setor imobiliário, que continua enfrentando dificuldades, ao contrário da maioria das economias mundiais, a China não possui um problema de inflação e tem espaço para conceder estímulos. A perspectiva é de que o crescimento chinês se concentre mais no mercado doméstico e nos setores de serviços, com um impacto global menor e menos demanda por commodities.

1 – Núcleo da Inflação – índice de inflação sem alguns itens mais voláteis como energia e alimentos, sendo melhor para avaliar a tendencia da inflação.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (S&P) subiu 0,25%. Em doze meses, a alta acumulada foi de 1,15%.

Na renda fixa, as taxas dos títulos (Treasures) de 5 anos americanos3 foram de 3,50% a.a. para 2,82% a.a. com a taxa básica de juros (FED Funds) subindo 0,25%, na primeira semana de maio, para o intervalo de 5,00% a 5,25% a.a.. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 3,76% a.a..

O Dólar (DXY) se valorizou 2,63% frente as outras moedas desenvolvidas no mês e as moedas de países emergentes (MSCI EM Currency Index) se desvalorizaram em relação ao dólar -0,91%. Em doze meses a valorização do dólar chegou a 2,54% e as moedas de países emergentes se desvalorizaram -1,90%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, as expectativas de crescimento da economia voltaram a apresentar sinais positivos ao longo das últimas semanas. O mercado de trabalho vem surpreendendo, tanto a taxa de desemprego consolidou-se no patamar de 8% quanto a renda real registrou crescimento de 7,4% no primeiro trimestre de 2023. Acrescentando leituras mais fortes nos dados de comércio e serviços nesses primeiros meses do ano e uma safra recorde, as expectativas de crescimento para o PIB 2023 (Boletim Focus – Bacen1) foram revisadas para cima, de 1% para 1,7%a.a.

Apesar de um PIB mais elevado no primeiro trimestre do ano e notícias positivas sobre emprego, a inflação de maio veio abaixo do consenso, em 0,23%, contra 0,33%. As projeções de inflação já haviam sido revisadas para baixo ao longo de maio, de 6% a.a. para 5,7% em virtude de alguns impactos inesperados, a deflação no atacado e o reajuste negativo nos preços de combustíveis.  Mesmo que boa parte da desinflação tenha vindo de itens mais voláteis, é esperado desaceleração dos núcleos1 nos próximos meses graças aos preços de bens industriais e da inflação de serviços já estarem em processo de desaceleração e não serem esperados novas acelerações do mercado de trabalho ou da atividade como um todo. Há ainda riscos adicionais para baixo nos próximos meses: a possibilidade de compensação dos preços de combustíveis na refinaria no momento de reoneração completa dos impostos federais e os incentivos fiscais para redução de preços de automóveis.

1 – Boletim Focus – pesquisa semanal feita pelo Banco Central com gestores e bancos sobre expectativa de indicadores econômicos, como IPCA, PIB etc.

As surpresas relacionadas a inflação têm criado a perspectiva de antecipação do início do ciclo de corte de juros para o terceiro trimestre. O mercado de juros futuros apresentou forte fechamento de taxa, ancorando a curva futura abaixo de 12% ao ano, após um período de picos de juros futuros próximos a 14% ao ano. Porém, o Bacen tem mantido uma postura cautelosa, reforçando que a política monetária deve ser paciente e serena, especialmente em um ambiente de expectativas de inflação desancoradas.

Os resultados positivos do PIB contribuem para uma apreciação do real. Além do diferencial de crescimento e juros, os fundamentos das contas externas seguem favoráveis, com forte superávit da balança comercial e entrada relevante de investimento estrangeiro direto. A apresentação do novo arcabouço fiscal na Câmara foi outro vetor positivo nas últimas semanas, que junto com a redução de alguns ruídos globais, como o aumento do teto da dívida dos EUA e nenhuma nova crise bancária relevante, consolidam a diminuição dos riscos de cauda.

Do ponto de vista fiscal, o texto final do arcabouço, aprovado pela Câmara, criou a possibilidade de um aumento de gastos acima do esperado. Apesar da regra geral da proposta ter sido mantida, isto é, a despesa só poderá crescer 70% do aumento das receitas líquidas recorrentes do ano anterior, houve uma exceção para 2024, que pode acrescentar mais 2,5% de crescimento real nas despesas. Apesar dessa exceção de curto prazo, a regra teve algumas melhorias, como o contingenciamento obrigatório e gatilhos de contenção de gastos em caso de descumprimento de metas de primário.

1 – Núcleo da Inflação – índice de inflação sem alguns itens mais voláteis como energia e alimentos, sendo melhor para avaliar a tendencia da inflação.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 111,4 mil pontos, alta de 3,74%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho acima do Ibovespa, com alta de 13,55%. O Ibovespa acumulou queda de -2,71% em doze meses contra uma queda do Small Cap de -7,36%.

Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 1,12%, os títulos pré-fixados de 5 anos2 tiveram ganhos de 5,20%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram ganhos de 2,71%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 1,79% (159% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,48%, os pré-fixados de 5 anos renderam 19,14%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 11,39% e os ativos de crédito indexados a CDI renderam 9,18% (68% do DI).

O Real1 se desvalorizou em relação ao dólar 1,90%, terminando o mês em 5,10, vindo de 5,00 no mês anterior. Em doze meses a desvalorização está em 7,76%, com o câmbio a doze meses em 4,73.

Os fundos Imobiliários5 tiveram ganhos de 5,42% no mês, com ganhos de 6,84% em doze meses.

Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram um ganho médio de 0,81% no mês (73% do CDI) com rendimento em doze meses de 7,08% (53% do CDI).

1 – Ptax; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA.

Cenário Econômico escrito por: Rogério Merhy – Gestor de Portfólio

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