Cenário Econômico Março 2023

Cenário Internacional

Economia

O mês de março foi misto para os mercados internacionais diante da volatilidade provocada pelo medo de uma possível crise sistêmica decorrente de falências de dois bancos regionais dos EUA e da venda forçada do Credit Suisse ao UBS da Europa. Na segunda quinzena do mês, houve uma certa estabilização nas condições bancárias em ambas as regiões, uma vez que os reguladores tomaram medidas para garantir todos os depósitos dessas instituições (inclusive os não originalmente cobertos). Tudo isso está acontecendo em um ambiente onde a inflação diminuiu, mas continua alta, especialmente nos EUA e na Europa e as tensões geopolíticas relacionadas a guerra da Ucrania continuam. É uma nova variável na complexidade da cena que ainda é muito desafiadora.

Nos EUA, as autoridades monetárias agiram rapidamente no caso da falência de dois bancos, e a crença de que o FED (Banco Central EUA) pode parar de aumentar as taxas de juros pesou nos mercados. Isso, combinado com o interesse dos investidores em ações de tecnologia e a confiança na inteligência artificial, levou a valorização das ações (S&P500), especialmente nas de crescimento (Growth). A inflação persistente levou o FOMC (Comite de política monetária dos EUA) a aumentar novamente a taxa de juros em 0,25% para o intervalo de 4,75% a 5,00% a.a., uma vez que o consumo, produção e emprego permaneceram fortes. O FOMC disse ainda que, mesmo com os problemas enfrentados pelo sistema bancário dos EUA, novos aumentos das taxas de juros podem ser considerados no futuro.

Na Europa, a venda do banco Credit Suisse para o UBS foi vista como um movimento do governo suíço para evitar uma crise no sistema bancário. Na França, protestos contra o aumento da idade mínima para aposentadoria ajudam a aumentar a instabilidade política e social da região, que ainda enfrenta os efeitos da guerra da Ucrânia. O ECB (Banco Central Europeu) aumentou as taxas de juros em 0,50% para 3,50% a.a., uma vez que o núcleo da inflação na zona do Euro continuou forte, 5,61% em doze meses. Os dados de PMI (Purchasing Managers Index – um indicador da atividade econômica) apontam para uma expansão no setor de serviços, sugerindo que o crescimento do PIB será mais forte do que o esperado, e retração no setor de manufaturas.

O índice PMI da China subiu devido a melhora nos setores de serviços e construção, enquanto os setores industrial e de exportação se contraíram devido à desaceleração da demanda global. O mercado imobiliário parece ter começado a se recuperar, mas ainda está bastante deprimido, vendas de casas na China estão perto dos níveis de 2019. A China manteve as taxas de juros em 3,65% a.a. pela 8 reunião consecutiva, com a uma inflação baixa, em doze meses de 1,00% a.a..Com uma economia que se recupera lentamente e pressões inflacionárias contidas, as sinalizações do PBoC (Banco Central Chinês) vão na direção de afrouxamento de condições monetárias, e não de aperto, como esperado após a reabertura da economia. As relações com EUA permaneceram difíceis em meio às ameaças americanas de impedir investimentos chineses e as preocupações com a privacidade de dados no aplicativo TikTok. Recentemente, a visita de Xi Jinping a Putin fortaleceu as relações sino-russas, ao mesmo tempo em que aumentou as tensões com o Ocidente.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana1 subiu 3,51%. Em doze meses, a perda acumulada foi de -9,29%. 

Na renda fixa, as taxas dos títulos de 5 anos americanos3 foram de 4,19% a.a. para 3,58% a.a. com a taxa básica de juros4 subindo 0,25% para o intervalo de 4,75% a 5,00% a.a, decidido na reunião de março. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 2,46%.

O dólar5 se desvalorizou -2,25% frente as outras moedas desenvolvidas no mês e as moedas de países emergentes6 se valorizaram em relação ao dólar 1,57%. Em doze meses a valorização do dólar chegou a 4,27% e as moedas dos países emergentes se desvalorizaram -3,02%.

1-S&P; 3-Treasures Duration 5 anos; 4-FED Funds; 5-Dollar Index; 6-MSCI EM Currency Index.

Cenário Brasil

Economia

O Brasil vive atualmente um ambiente econômico desafiador, com inflação abaixo da meta e claros sinais de desaceleração do crescimento, além de um mercado de trabalho em declínio. Isso está acontecendo em meio as expectativas de inflação desancoradas e divergências persistentes entre o governo e o Banco Central.

No que diz respeito à inflação, embora o IPCA-15 nos últimos 12 meses tenha apresentado uma ligeira desaceleração, de 5,36% em doze meses, o grupo de transportes exerceu um impacto relevante, impulsionado sobretudo pelo aumento nos preços da gasolina após a devolução dos impostos sobre os combustíveis em fevereiro. As expectativas de inflação seguem desancoradas e o COPOM (Comitê de política monetária) optou por manter inalterada a taxa de juros em 13,75% a.a.. Esta decisão foi motivada pela desaceleração da economia e do mercado de crédito local, além do cenário externo mais incerto em decorrência dos recentes episódios ocorridos no sistema financeiro dos países desenvolvidos. O COPOM deu sinais de que está à espera dos desdobramentos da nova regra fiscal e seus possíveis impactos sobre a trajetória da dívida pública, que pode refletir na curva de juros em horizontes mais longos.

No final do mês passado, o ministro das Finanças anunciou um novo “arcabouço fiscal”. Sua eficácia permanece questionável, os próprios números do governo só “fecham” se a arrecadação aumentar. Como o governo diz que não quer aumentar a carga tributária, vai precisar lutar muito para retirar incentivos de setores que tem forte lobby no congresso, como o agronegócio e o setor automobilístico. Não parece simples a equação num ambiente de desaceleração da economia. Além disto, o executivo ainda precisa “testar” sua base no congresso, após 100 dias de governo ainda pairam dúvidas sobre qual o tamanho da base aliada vai votar a favor em votações importantes, como esta reforma do arcabouço fiscal. 

A desaceleração do mercado de crédito no Brasil está ganhando destaque e se tornando cada vez mais frequente nos documentos publicados pelo Banco Central. No primeiro relatório trimestral de inflação deste ano, o COPOM revisou sua estimativa de variação do estoque de crédito, prevendo um crescimento real bastante moderado em 2023. Anteriormente, no comunicado divulgado em março, o assunto foi incluído no balanço de riscos do comitê, devido à possibilidade de uma desaceleração “maior do que seria compatível com o atual estágio do ciclo de política monetária”.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 101,9 mil pontos, queda de -2,91%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho em linha do Ibovespa, com queda de -1,73%. O Ibovespa acumulou queda de -15,10% em doze meses contra uma queda do Small Cap de -27,94%.

Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 1,17%, os títulos pré-fixados de 5 anos2 tiveram ganhos de 4,28%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram ganhos de 2,57%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 1,17% (100% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,28%, os pré-fixados de 5 anos renderam 7,28%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 8,44% e os ativos de crédito indexados a CDI renderam 8,91% (67% do DI).

O Real1 se valorizou em relação ao dólar 2,45%, terminando o mês em R$5,08, vindo de R$5,20 no mês anterior. Em doze meses a desvalorização está em 7,23%, com o câmbio a doze meses em 4,73.

Os fundos Imobiliários5 tiveram perdas de -1,71% no mês, com perdas de -1,71% em doze meses.

Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram uma perda média de -0,15% no mês (-12% do CDI) com rendimento em doze meses de 7,97% (60% do CDI).

1- Ptax; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA.

Cenário Econômico escrito por: Rogério Merhy – Gestor de Portfólio

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