Cenário Econômico Novembro 2023

Cenário Internacional

Economia

O mês de novembro ficou marcado por uma recuperação forte dos ativos de risco e pelo fechamento da curva de juros mundo afora. Estes movimentos foram suportados por uma revisão relevante dos dados do mercado de trabalho nos EUA, e pela queda dos indicadores de inflação. Outros temas que também chamaram a atenção, embora de forma secundária, foram a continuação dos sinais de enfraquecimento da economia chinesa e o conflito no Oriente Médio. No que diz respeito ao último ponto, além das questões humanitárias fundamentais, chamou a atenção o impacto limitado nos preços dos ativos, especialmente no preço do petróleo, que registrou queda em novembro.

Nos EUA, os dados de desemprego de outubro mostram que o mercado de trabalho americano parece estar desacelerando. A criação de vagas atingiu 150 mil, abaixo do consenso de 180 do mercado, enquanto o dado de setembro foi revisado de 336 para 297 mil empregos criados. Já no quadro inflacionário, a inflação1 de outubro caiu de 3,7% para 3,2% a.a., puxado pelos preços da energia. O núcleo da inflação também desacelerou de 4,0% para 4,1%. Na minuta da última reunião, o FOMC2 alertou que segue vigilante quanto ao nível da inflação, da atividade e do aperto em curso para tomar as próximas decisões. A próxima reunião acontece entre os dias 12 e 13 de dezembro, e a expectativa é de manutenção da taxa de juros no intervalo atual de 5,25%-5,50%. A desaceleração do crescimento da economia norte-americana, em conjunto com dados de inflação mais baixos do que as expectativas, levou os investidores a precificarem um possível ciclo de queda de juros em meados de 2024. Como consequência, a taxa do Treasury de 10 anos caiu de 5%a.a. para menos de 4,30%a.a., enquanto o mercado acionário valorizou +8,9% voltando para um cenário de “soft landing” (controle da inflação sem impacto relevante em crescimento econômico).

Na Europa, a inflação1 deu mais sinais de arrefecimento, caindo de 2,9% em setembro para 2,4% a.a. em outubro, com o núcleo também desacelerando de 4,2% para 3,6% a.a., com a principal contribuição vindo dos preços de energia. A atividade, porém, continua em queda, com os PMIs4 de serviços e manufatura em contração. A inflação continua desacelerando mais rápido do que o antecipado, trazendo conforto e confiança para o ECB3, que tem optado por manter a taxa de juros inalterada em 4,50% a.a enquanto acompanha a evolução dos dados. Ainda assim, o ECB continua a manter uma retórica dura, com membros do banco central já enfatizando que novas altas podem ocorrer a depender da dinâmica de preços.

Na China, apesar dos inúmeros estímulos do governo, os dados no mês de novembro reforçaram as dificuldades de crescimento do país que continua enfrentando os problemas do colapso do setor de construção civil e o excesso de endividamento na economia. O setor de moradias, um dos mais relevantes vetores para o crescimento chinês, segue sem apresentar melhoras contundentes, com as vendas de casas e início de novas construções em contínua queda . O governo vem tomando medidas de incentivo à atividade, relaxando a regulação para a compra de novas casas, fornecendo linhas de liquidez a baixo custo para as empresas, mas não houve nenhuma medida capaz de reverter o ciclo de queda do setor. Por outro lado, o setor industrial vem se diversificando e exibe dinamismo em novas áreas, como carros elétricos, baterias solares e equipamentos de comunicação. Com isso, o consumo de commodities se mantém relativamente bem, apesar dos problemas no setor de construção civil.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (S&P) subiu 8,92%. Em doze meses, a alta acumulada foi de 11,95%.

Na renda-fixa, as taxas dos títulos públicos americanos(Treasures) de 5 anos se recuperaram, caindo de 4,85%a.a. para 4,27%a.a. com a taxa básica de juros (FED Funds) se mantendo estável a 5,50%a.a.. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 4,00%a.a..

O Dólar (DXY) no mês se desvalorizou -2,96% frente as outras moedas desenvolvidas e as moedas de países emergentes (MSCI EM Currency Index) se valorizaram em relação ao dólar 2,78%. Em doze meses o dólar se desvalorizou -2,31% e as moedas de países emergentes se valorizaram 5,15%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, apesar das pressões para a redução da meta do resultado primário por integrantes do governo e de sinalizações negativas do presidente Lula com relação à contenção de gastos no próximo ano, o relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias foi aprovado com a meta de déficit zero.

No Congresso, a agenda da equipe econômica com o objetivo de incrementar as receitas da União continua avançando, mas com perspectivas de gerar uma arrecadação aquém da almejada pelo Executivo. O Senado aprovou, em decisão apertada e com modificações, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Reforma Tributária, enquanto os projetos de lei que propõem a taxação de offshores e dos fundos exclusivos aguardam apenas a sanção presidencial. O STF liberou os pagamentos dos precatórios ainda este ano, o que deve somar um montante de R$95 bilhões no déficit primário, levando-nos a revisar a expectativa para o final do ano para um déficit de cerca de 2,3% do PIB.

Sobre o desempenho da atividade, depois de avanço mais forte do que o esperado do PIB no segundo trimestre, os indicadores do terceiro trimestre confirmam desaceleração da atividade doméstica e apontam para modesta queda do PIB no período. Mais importante, a demanda doméstica mostra perda maior de dinamismo. Em setembro, por exemplo, o IBC-BR cedeu 0,1% devido ao novo desempenho fraco do setor de serviços. Depois de ceder 1,3% em agosto, o setor de serviços frustrou novamente e recuou 0,3% em setembro, com destaque para serviços profissionais, administrativos e complementares    (-1,1%). De fato, a retração projetada para o PIB no terceiro trimestre, por ora, não é suficiente para alterar as estimativas de alta de cerca de 3,0% do PIB em 2023 e 1,5% para 2024.

O mercado de trabalho permanece aquecido com uma geração de emprego forte, enquanto a inflação segue desacelerando e apresenta uma composição benigna. Não só no Brasil, mas em outros países do mundo, a evolução do mercado de trabalho e da inflação tem chamado bastante atenção dos economistas dada a dificuldade em compatibilizar estes dados.

Em relação ao cenário de inflação, os últimos números seguiram trazendo notícias favoráveis para o cenário de política monetária. Apesar de o IPCA-15 de novembro ficar ligeiramente acima das expectativas, houve surpresa baixista com a média dos núcleos. Assim, além de os índices de serviços e industriais subjacentes seguiram apresentando descompressão na comparação anual, a variação abaixo do esperado dos núcleos em novembro ajuda a reduzir, por ora, o risco de inflação mais resiliente em uma conjuntura de arrefecimento da atividade.

Em sua próxima reunião em dezembro, o Copom deve manter o ritmo de corte de 0,50%, o que levaria os juros para o nível de 11,75% a.a. em dezembro. As expectativas de inflação seguem desancoradas, e as altas taxas de juros no exterior, em especial nos Estados Unidos, limitam o quanto a taxa terminal brasileira pode chegar.

Do lado cambial as contas externas estão indo muito bem. Houve um forte queda do déficit em conta corrente, que passou de 2.8% do PIB no final de 2022 para 1,6% em 12 meses terminados em outubro deste ano, com essa melhora sendo causada em sua totalidade pelo aumento do saldo comercial. A balança, passou de US$ 62bi de superávit em 2022 para impressionantes US$ 99bi em 12 meses até novembro, com destaque para saldo acumulado de US$ 69bi do complexo soja, US$ 34bi de minério de ferro, US$ 24bi no complexo carnes e US$ 19bi na balança de petróleo e derivados.

1 – Boletim Focus – pesquisa semanal feita pelo Banco Central com gestores e bancos sobre expectativa de indicadores econômicos, como IPCA, PIB, etc…

Dados do Cenário Nacional

  • O Ibovespa fechou o mês aos 127,3 mil pontos, alta de 12,54%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho em linha com o Ibovespa, com alta de 12,49%. O Ibovespa acumula alta de 13,20% em doze meses contra alta do Small Cap de 6,13%.
  • Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 0,92%, os títulos pré-fixados de 5 anos2 tiveram ganhos de 5,81%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram ganhos de 2,90%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 1,28% (139% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,3%, os pré-fixados de 5 anos renderam 23,5%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 12,96% os ativos de crédito indexados a CDI renderam 10,73% (81% do DI).
  • O Real1 se valorizou em relação ao dólar -2,41%, terminando o mês em 4,93, vindo de 5,06 no mês anterior. A doze meses o câmbio estava em 5,29, uma valorização de -6,77%.
  • Os fundos Imobiliários5 tiveram ganhos de 0,67% no mês, com ganhos de 10,78% em doze meses.
  • Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram ganho médio de 2,52% no mês (274% do CDI) com rendimento em doze meses de 6,91% (52% do CDI).

1- Ptax ; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA

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