Cenário Econômico Outubro 2023

Cenário Internacional

Economia

A possibilidade de que os bancos centrais tenham que manter as taxas de juros elevadas por um período prolongado, aliada às preocupações com o déficit público dos Estados Unidos e ao enxugamento de liquidez promovido pelo FED1 têm pressionado o rendimento dos títulos de renda fixa de longo prazo, especialmente nos EUA. Isso mantém o dólar em níveis historicamente altos, aumentando a aversão ao risco, drenando fluxo e criando um ambiente desafiador para as economias emergentes. Soma-se a isso o conflito entre Israel e o Hamas que aumentou ainda mais a aversão ao risco nos mercados e cujos impactos já são vistos no mercado de petróleo cujo preço se mantém elevado e volátil, tendo em vista a possibilidade de agravamentos no conflito.

Nos EUA, o discurso após a última reunião do FED, já em novembro, veio em tom mais leve que o esperado, reduzindo a curva de juros que havia subido mais ainda ao longo de outubro, por causa de indicadores econômicos que viam piorando na margem. No mês, houve forte geração de empregos, 336 mil vagas criadas vs expectativa de 170 mil vagas. Além disso, os preços ao consumidor subiram 0,4% no mês, o que levou a uma desaceleração na taxa de inflação em 12 meses, de 4,3% em agosto para 4,1% em setembro, porém os aluguéis e os serviços mostraram uma aceleração na margem e alguns indicadores apontam aumento expressivo nas vendas no varejo. Adicionalmente, o PIB cresceu 4,88% no terceiro trimestre de 2023 em comparação com o segundo trimestre do mesmo ano, superando as expectativas do mercado, de 4,5%. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo consumo, gastos governamentais e investimento privado. Durante outubro, as taxas dos títulos públicos de 10 anos chegaram a abrir mais 0,30%, chegando a 4,92%. Após o discurso do FED, estes títulos caíram para 4,55%, o que significa uma considerável flexibilização das condições financeiras nos EUA.

Na Europa, apesar da fraca atividade econômica, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros 4,50% a.a, conforme esperado pelo mercado, interrompendo o ciclo de aumento das taxas de juros após dez elevações consecutivas. Os dados apontaram para uma economia mais fraca,  a inflação finalmente mostrou sinais de estabilização e o Banco Central Europeu reiterou sua postura de paciência, indicando que a política monetária atual é suficientemente restritiva para alinhar a inflação com sua meta se mantida por um período mais prolongado. No entanto, a presidente, Christine Lagarde, enfatizou que ainda há espaço para futuros aumentos, se necessário.

Na China, o PIB no terceiro trimestre cresceu 4,9% anualizados em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que representa uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, de 6,3%. No mês passado, a principal notícia foi o aumento do déficit fiscal de 3,0% para 3,8% do PIB, número que, embora não represente um estímulo significativo, é indicativo de mudança de postura do governo. A inflação ao consumidor ficou estável  em comparação com o ano anterior, enquanto a inflação ao produtor recuou 2,5%. A balança comercial registrou um superávit de US$ 77,7 bilhões, superando as expectativas de US$ 70,6 bilhões, devido a exportações mais robustas do que o previsto. Isto pode ser um indicador que uma desaceleração mais acentuada não está ocorrendo, o que seria bastante prejudicial para o mercado de commodities. Os lucros industriais também registraram recuperação em relação a setembro do ano anterior. Esses resultados superaram as expectativas do mercado e confirmam que as recentes medidas de estímulo do governo chinês podem estar produzindo resultados. As taxas de empréstimos de 1 e 5 anos foram mantidas na última reunião do Banco Central da China (PBoC).

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana (S&P) caiu –2,20%. Em doze meses, a alta acumulada foi de 8,31%.

Na renda-fixa, as taxas dos títulos públicos americanos(Treasures) de 5 anos tiveram mais uma alta relevante de 4,62%a.a. para 4,85%a.a. com a taxa básica de juros (FED Funds) se mantendo estável a 5,50%a.a. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 4,23%a.a.

O Dólar (DXY) no mês se valorizou 0,41% frente as outras moedas desenvolvidas e as moedas de países emergentes (MSCI EM Currency Index) se valorizaram em relação ao dólar 0,13%. Em doze meses o dólar se desvalorizou -4,37% e as moedas de países emergentes se valorizaram 5,95%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, o mês terminou com discussões sobre a meta fiscal, trazidas à tona pelo presidente Lula durante um café da manhã com jornalistas. O mercado1 espera um déficit primário por volta de 0,75% do PIB em 2024, em contraste com a meta de 0,0% estabelecida pelo governo. Essa discussão prematura sobre a mudança da meta não contribui para melhorar a percepção de risco do país.

Quantos aos indicadores de atividade, a receita do setor de serviços sofreu uma queda de 0,9% em agosto em relação a julho, contra 0,4% das expectativas de mercado. Quanto às vendas no varejo, houve uma contração de 1,3% em agosto em comparação com o mês anterior, enquanto as expectativas do mercado eram de -0,7%. Os índices de confiança do FGV IBRE também indicam uma desaceleração no segundo semestre do ano, com destaque negativo para a confiança empresarial, que apresenta queda na confiança na indústria e no comércio. A prévia de outubro sugere a continuidade desse cenário, com a possibilidade de novo recuo nos os índices.

O mercado de trabalho tem surpreendido desde meados do ano passando, levando a taxa de desemprego ao menor nível desde 2015 e sem pressionar os salários de forma significativa. A melhora da estimativa de emprego e da população ocupada deve continuar auxiliando a massa de renda e o consumo das famílias nos próximos trimestres. A expectativa é que os elevados níveis de comprometimento de renda, inadimplência das famílias, e a taxa de juros em níveis restritivos, causem uma desaceleração adicional à economia, compensando este efeito. Do ponto de vista da inflação ela continua sob controle, especialmente nos itens relacionados a serviços, e não houve mudanças significativas na tendência de desaceleração da atividade. O IPCA referente a setembro registrou um aumento de 0,26% em relação ao mês anterior (expectativas do mercado eram de 0,33%).

O Copom deu continuidade ao ciclo de corte de juros com mais 0,50% já em novembro, trazendo a Selic a 12,25%a.a. Na ata da reunião voltou a sinalizar não haver espaço para aceleração no ritmo de cortes. A elevação dos preços internacionais do petróleo, os riscos climáticos sobre os preços dos alimentos representados pelo El Ninõ, a pressão sobre as curvas de juros globais, e as incertezas fiscais domésticas não permitem alteração na estratégia gradualista do Bacen. O último boletim focus1 sinaliza o juro ao fim de 2023 a 11,75% e no final de 2024 a 9,25%.

Com relação ao fiscal, aumentam as preocupações conforme o ano vai acabando. Se o governo não conseguir reunir apoio político suficiente para aprovar o pacote de medidas de aumento de impostos, poderá enfrentar um dilema muito difícil: rever a meta fiscal para 2024, que seria vista de forma muito negativa pelos mercados ou manter a meta zero, respeitando o novo arcabouço fiscal, mas podendo ser forçado a implementar um congelamento de gastos politicamente desafiador em 2024, ano de eleições municipais.

1- Boletim Focus – pesquisa semanal feita pelo Banco Central com gestores e bancos sobre expectativa de indicadores econômicos, como IPCA, PIB, etc…

Dados do Cenário Nacional

  • O Ibovespa fechou o mês aos 113,1 mil pontos, queda de -2,94%%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho pior que o Ibovespa, com queda de -7,39%. O Ibovespa acumula queda de -2,49% em doze meses contra queda do Small Cap de -16,3%.
  • Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 1,00%, os títulos pré-fixados de 5 anos2 tiveram perdas de -0,35%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram perdas de -1,06%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 1,28% (128% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,4%, os pré-fixados de 5 anos renderam 12,5%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 8,9% os ativos de crédito indexados a CDI renderam 10,6% (79% do DI).
  • O Real1 se desvalorizou em relação ao dólar 1,00%, terminando o mês em 5,06, vindo de 5,01 no mês anterior. A doze meses o câmbio estava em 5,26, uma valorização de -3,79%.
  • Os fundos Imobiliários5 tiveram perdas de -1,99% no mês, com ganhos de 5,48% em doze meses.
  • Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram uma perda média de -0,86% no mês (-86% do CDI) com rendimento em doze meses de 2,50% (19% do CDI).

1- Ptax ; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA

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