Cenário Econônico Abril 2023

Cenário Internacional

Economia

O mês de Abril, foi um mês positivo para a economia global, com o crescimento se mantendo resiliente mesmo diante do aumento das taxas de juros. As pesquisas dos Índices de Gerentes de Compras1 (PMI) nos EUA e na Europa superaram as expectativas, e o PIB da China no primeiro trimestre também foi mais forte do que o esperado. Pelo lado da inflação, houve alívio nos EUA e Europa pela queda nos preços de energia.

Nos EUA, tivemos notícias positivas sobre a inflação. Os preços de energia diminuíram em 0,50% a inflação (CPI) nos EUA, que ficou abaixo das expectativas, em 5,0% a.a.. O núcleo da inflação2 aumentou de 5,5% a.a. em março para 5,6% a.a. em abril, com alguns indicadores sugerindo que ela deve começar a se moderar nos próximos meses. Houve sinais de desaceleração no mercado de trabalho, embora a taxa de desemprego tenha caído para 3,5% e a folha de pagamento não-agrícola tenha crescido, o crescimento dos salários desacelerou para 4,2% a.a.. Na primeira semana de maio, o FED aumentou os juros em 0,25% a.a. em linha com o esperado pelo mercado. Existe um risco significativo relacionado ao limite da dívida pública (debt ceiling) que deve ser atingido entre de junho e agosto. A elevação do teto da dívida exigirá negociações tensas no Congresso, dado que os Republicanos têm maioria e são contra, antes de ser efetivada. Isto poderá resultar em quedas nas taxas dos títulos do Tesouro de longo prazo, desvalorização do dólar em relação a outras moedas e queda nos preços dos ativos de risco em geral.

1 PMI – índice que mede o quanto os gerentes das empresas estão adquirindo insumos, o índice vai de 0 a 100, sendo 50 o valor da neutralidade;

2 Núcleo da Inflação – índice de inflação sem alguns itens mais voláteis como energia e alimentos, sendo melhor para avaliar a tendencia da inflação.

Na Europa, os dados de atividade vieram melhores que o esperado, embora o setor de manufatura ainda seja um ponto fraco. O PMI da manufatura ficou em 45,5, indicando o décimo mês consecutivo de contração, enquanto o PMI de serviços aumentou 1,6 pontos para 56,6. Essa força nos serviços foi suficiente para manter o crescimento do PIB da zona do euro positivo no primeiro trimestre, com a economia crescendo 0,10% em relação ao trimestre anterior. A inflação (CPI) da zona do euro caiu de 8,5% ao ano em março para 6,9% em abril, graças principalmente aos efeitos da queda no preço da energia. No entanto, o núcleo da inflação aumentou 0,10% para 5,70%a.a.. Na primeira semana de maio o Banco Central Europeu (BCE) aumentou os juros em 0,25% para 3,75% a.a. em linha com as expectativas. Porém as surpresas positivas no crescimento econômico e pressões salariais, pioraram a expectativa de alta dos juros para os próximos meses, em vez de alta de mais 0,50%, espera-se um total de 0,75% até o outono.

Na China, os dados divulgados em abril confirmaram a recuperação impulsionada pela reabertura econômica pós-covid. O PIB do primeiro trimestre veio acima do esperado, crescendo 4,5% em 12 meses. As vendas no varejo também ficaram acima das expectativas, com um crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior. Mesmo com estes dados de atividade melhor, a inflação segue controlada e o governo Chines tem espaço para manter o viés para o crescimento. Apesar disso, preocupações com as tensões geopolíticas afetaram negativamente as ações chinesas (HSI), que caiu 2,5% no mês. Relatos sobre novas regulamentações de investimento dos EUA afetaram principalmente as ações de serviços de comunicação e bens de consumo discricionário.

Dados do Cenário Internacional

No mês, a bolsa americana¹ subiu1,46%. Em doze meses, a perda acumulada foi de-0,91%.

Na renda fixa, as taxas dos títulos³ de 5 anos americanos3 foram de 3,58% a.a. para 3,50% a.a. com a taxa básica de juros4 subindo 0,25%, na primeira semana de abril, para o intervalo de 5,00% a 5,25% a.a. Doze meses atrás a taxa destes títulos estava em 2,96%.

O dólar5 (DXY), se desvalorizou -0,83% frente as outras moedas desenvolvidas no mês, e as moedas de países emergentes6 se desvalorizaram em relação ao dólar -0,26%. Em doze meses a desvalorização do dólar chegou a -1,26% e as moedas dos países emergentes se desvalorizaram -0,47%.

Cenário Brasil

Economia

No Brasil, as condições de crédito seguem em processo de aperto, com o acesso das empresas ao mercado primário de debêntures menor e as concessões de crédito bancário em contração. Em conjunto com a elevada taxa real de juros, a restrição de crédito contribui para a perspectiva de desaceleração de atividade nos próximos meses.

O detalhamento do texto do arcabouço veio muito próximo do que era noticiado. A proposta determina uma faixa para o crescimento real dos gastos públicos entre 0,6% e 2,5% e dá um incentivo moderado para que o governo aumente as receitas de forma recorrente. Como o governo diz que não quer aumentar a carga tributária, vai precisar lutar muito para retirar incentivos de setores que tem forte lobby no congresso, como o agronegócio e o setor automobilístico. Não parece simples a equação num ambiente de desaceleração da economia.

Os primeiros “testes” da base do governo no congresso foram negativas. Houve dois vieses importantes, uma na PEC das “fake news” e outra na questão das mudanças na lei do saneamento, o que causa ainda mais dúvidas quanto à capacidade do arcabouço não ser modificado. As discussões no Congresso parecem caminhar na direção de endurecer a proposta.

Dados do Cenário Nacional

O Ibovespa fechou o mês aos 107,9 mil pontos, alta de 2,50%. O índice de Small Caps, que possui menos commodities e mais empresas ligadas ao mercado doméstico, teve desempenho em linha do Ibovespa, com alta de 1,87%. O Ibovespa acumulou queda de -3,19% em doze meses, contra uma queda do Small Cap de -19,90%.

Na renda fixa o CDI teve rentabilidade no mês de 0,92%, os títulos pré-fixados de 5 anos2 tiveram ganhos de 2,61%, e os títulos de inflação de 5 anos3 tiveram ganhos de 2,61%. Os ativos de crédito indexados a CDI4 tiveram ganhos de 0,77% (84% do CDI). Em doze meses, o CDI rendeu 13,37%, os pré-fixados de 5 anos renderam 12,66%, os títulos de inflação de 5 anos ganhos de 9,63% e os ativos de crédito indexados a CDI renderam 8,61% (64% do DI).

O Real1 se valorizou em relação ao dólar 2,45%, terminando o mês em R$5,08, vindo de R$5,20 no mês anterior. Em doze meses a desvalorização está em 7,23%, com o câmbio a doze meses em 4,73.

Os fundos Imobiliários5 tiveram perdas de -1,71% no mês, com perdas de -1,71% em doze meses.

Os fundos multimercados brasileiros6 tiveram uma perda média de -0,15% no mês (-12% do CDI) com rendimento em doze meses de 7,97% (60% do CDI).

1 – Ptax; 2- Anbima Idka Pre 5 anos; 3- Anbima idka IPCA 5 anos; 4- JGP Idex CDI; 5- IFIX; 6- Anbima IHFA.

Cenário Econômico escrito por: Rogério Merhy – Gestor de Portfólio

Compartilhe: